Tarifas de 200% às bebidas alcoólicas da UE: Comissário da Agricultura quer “mais diplomacia agroalimentar”

Os EUA ameaçaram aplicar tarifas de 200% às bebidas alcoólicas oriundas da Europa, entre elas o vinho. O comissário Europeu da Agricultura quer um “reforço da diplomacia agroalimentar”, para conseguir tocar mais mercados.

garrafas de vinho
Os Estados Unidos (EUA) tornaram-se o principal mercado de exportação dos vinhos portugueses, tendo as vendas para aquele país aumentado 2% em 2024, valendo já 102,1 mihões de euros.

Os Estados Unidos da América (EUA) tornaram-se o principal mercado de exportação dos vinhos portugueses, tendo as vendas para aquele país aumentado 2% em 2024, valendo já 102,1 mihões de euros.

No seu conjunto, o setor do vinho na União Europeia (UE) representa “60% da produção mundial de vinho e 60% do valor do vinho exportado a nível mundial”. “O setor vitivinícola da UE constitui uma pedra angular do tecido cultural e económico da Europa”, lembra a Comissão Europeia.

O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, sabe bem que todos os países da União estão preocupados com a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de taxar em 200% as importações de bebidas alcoólicas a partir da Europa. E não tem dúvidas de que a União tem de reagir a este revés.

Considera, pois, “fundamental empenharmo-nos na diplomacia agroalimentar para reforçar a base de mercado dos nossos produtos em outros países”.

“A UE está empenhada em proteger e apoiar os seus setores económicos contra quaisquer impactos injustos ou prejudiciais de potenciais ameaças”, disse o comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, nesta segunda-feira, 31 de março, também afirmando que “compreende muito bem” que a atual situação geopolítica gera receios no setor vitivinícola.

“O vinho europeu, incluindo o português, é muito conhecido em todo o mundo, 60% de todo o vinho consumido no mundo é produzido na UE. É um feito e um orgulho. Compreendo muito bem que a atual situação geopolítica cria muitas incertezas e riscos para o setor”, afirmou Christophe Hansen, em declarações à agência Lusa.

63,4 milhões para promoção em países terceiros

O comissário deixa a garantia de que, “este ano, continuaremos a promover os nossos produtos agroalimentares de alta qualidade com 132 milhões de euros, dos quais 63,4 milhões são dedicados à promoção em países terceiros”, e lembrou que as candidaturas estão abertas até 23 de abril.

Uvas
Na última semana, a Comissão Europeia avançou com várias propostas com vista a apoiar o setor do vinho. Entre elas, está a colheita das uvas em verde.

Na última semana, a Comissão Europeia avançou com várias propostas com vista a apoiar o setor do vinho.

Entre elas, estão apoios para o arranque de vinha, para a colheita das uvas em verde, a flexibilidade na plantação de vinhas e apoios à adaptação da viticultura às alterações climáticas. A promoção dos vinhos sem álcool ou com muito pouco teor alcoólico é outra das medidas em cima da mesa.

Vamos por partes. Para prevenir excedentes, como os que se têm verificado, nomeadamente em Portugal, a Comissão autoriza que os Estados-membros possam autorizar o arranque (remoção de vinhas indesejadas ou em excesso) e a colheita em verde (remover uvas não maduras antes da colheita). Isso também ajudará a “estabilizar o mercado e proteger os produtores de pressão financeira”.

Apoios às mudanças climáticas

Quanto à plantação, os produtores vão ter “maior flexibilidade no regime de autorizações de replantação, o que os ajudará a tomar as suas decisões de investimento no atual contexto em mutação.

Os Estados-membros serão igualmente “autorizados a calibrar melhor as autorizações de plantação”, em função das suas necessidades nacionais e regionais, diz a Comissão Europeia.

Uvas
Para prevenir excedentes, a Comissão Europeia dá luz verde a que os Estados-membros possam autorizar remoção de vinhas indesejadas ou em excesso.

Nos apoios às mudanças climáticas, a Comissão promete que “o setor receberá um maior apoio para se tornar mais resiliente”. Os Estados-membros podem “aumentar a assistência financeira da União até 80% dos custos de investimento elegíveis” para investimentos destinados à atenuação das alterações climáticas e à adaptação às mesmas.

Desenvolver o turismo vitivinícola

A comercialização de produtos inovadores passará a ser “mais fácil, com regras mais claras e denominações comuns para produtos vitivinícolas com baixo teor alcoólico em todo o mercado único”.

E a rotulagem será “harmonizada”. Os operadores beneficiarão de uma abordagem mais harmonizada da rotulagem do vinho, reduzindo os custos e simplificando o comércio transfronteiras da UE. Ao mesmo tempo, os consumidores ganham um acesso fácil à informação sobre o vinho que estão a consumir.

Outras das medidas é a assistência para desenvolver o turismo vitivinícola, que será dada aos agrupamentos de produtores que gerem vinhos protegidos por indicações geográficas. A medida também deverá contribuir para “impulsionar o desenvolvimento económico das zonas rurais”.

Por fim, a duração das campanhas promocionais financiadas pela UE para a consolidação do mercado em países terceiros vai ser alargada. Passa de três para cinco anos, a fim de “assegurar uma melhor promoção dos vinhos europeus”.