Saiba mais sobre o "Relógio do Apocalipse" e o seu anúncio para 2024: quanto tempo para ocorrer uma catástrofe global?
Esta iniciativa do Bulletin of Atomic Scientists revela todos os anos o tempo que nos falta para chegar à meia-noite, um simbolismo que representa o fim do mundo para a Humanidade.
No vasto panorama das preocupações globais do mundo atual, como a crescente preocupação com as alterações climáticas e os novos conflitos armados, há um relógio que não marca as horas, mas sim os riscos que enfrentamos enquanto sociedade.
O intrigante Relógio do Apocalipse é uma criação do Bulletin of Atomic Scientists que simboliza a proximidade de ameaças que podem alterar o nosso mundo tal como o conhecemos.
A fazer tic toc desde 1947
A ideia nasceu no final dos anos 40, quando ainda se vivia a tensão da última guerra e a corrida ao desenvolvimento de armas nucleares.
Foi assim que um grupo de cientistas membros do Projeto Manhattan - sim, aquele que desenvolveu a bomba atómica - criou, em 1945, o Bulletin of Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atómicos em português). Entre os fundadores estavam o próprio Albert Einstein e Robert Oppenheimer.
A revista, num primeiro momento, procurou sensibilizar o mundo para os perigos das armas nucleares. Dois anos mais tarde, o conselho de administração da publicação criou o Relógio do Apocalipse, que aparece em todas as primeiras páginas do Boletim desde então.
O Boletim garante que tinham razão e que, além disso, "a Humanidade enfrenta agora ameaças adicionais decorrentes dos gases com efeito de estufa, dos ciberataques e da utilização abusiva da engenharia genética e da inteligência artificial".
Dos minutos aos segundos, como é que ajusta este relógio?
As decisões políticas, os desenvolvimentos científicos e os acontecimentos mundiais são os protagonistas que influenciam o Relógio do Apocalipse. A comunidade científica avalia continuamente a situação mundial para determinar se os ponteiros do relógio devem aproximar-se ou afastar-se da meia-noite.
Embora inicialmente as horas do relógio fossem ajustadas por Eugene Rabinowitch, editor do Boletim, após a sua morte em 1973 foi criado o Comité de Ciência e Segurança, composto por cientistas e outros especialistas com profundos conhecimentos de tecnologia nuclear e climatologia, que frequentemente aconselham governos e organizações internacionais.
O ano de 2023 foi histórico, uma vez que faltavam apenas 90 segundos para a meia-noite, estando mais perto do que nunca do "fim do mundo". As razões? A tensão sobre a guerra na Ucrânia, as ameaças biológicas, a crise climática e o uso indevido de outras tecnologias disruptivas, explicaram num comunicado no ano passado.
Estaremos mais perto em 2024?
Ao longo dos anos, o evento realizado em Washington DC, nos Estados Unidos, oferece uma palestra de especialistas e membros do comité. Nesta ocasião, a cerimónia contou com o apresentador, cientista e comediante Bill Nye e a presidente e CEO do Bulletin, Rachel Bronson, juntamente com outros cinco cientistas.
E qual foi o tempo anunciado? O comité determinou que, em 2024, o relógio continuará a marcar 90 segundos para a meia-noite. "A Humanidade continua a enfrentar um nível de perigo sem precedentes", afirmaram na transmissão em direto.
Segundo um comunicado de imprensa, as principais ameaças que levaram a manter a hora deste relógio simbólico são:
- As diferentes dimensões do desenvolvimento de armas nucleares.
- As consequências das alterações climáticas, com dados chocantes como o facto de 2023 ser o ano mais quente alguma vez registado.
- A rápida evolução da inteligência artificial e das tecnologias biológicas, que representa uma ameaça devido a uma possível utilização abusiva.
O que o Bulletin of Atomic Scientists propõe para inverter os ponteiros é a realização de uma ação comum.
"Como primeiro passo, e apesar das suas profundas divergências, três das principais potências mundiais - os Estados Unidos, a China e a Rússia - deveriam iniciar um diálogo sério sobre cada uma das ameaças globais aqui descritas."
Boletim de Cientistas Atómicos, 2024.
Como Humanidade, estamos interessados em reduzir a probabilidade de uma catástrofe global e, neste sentido, o apelo sublinha que devem ser as potências mundiais a assumir a responsabilidade pelo perigo existencial que enfrentamos.
"Elas têm a capacidade de tirar o mundo da beira da catástrofe. Têm de o fazer, com clareza e coragem, e sem demora", acrescentaram.