“O meu gato chega sempre a casa!” – A explicação científica para a orientação (quase) infalível dos gatos

É sabido que os gatos têm um sentido de orientação apuradíssimo, raramente se perdem, e a explicação científica é curiosa. Fique a saber mais sobre este assunto, connosco!

Gato
O gato é um dos animais de estimação preferidos pelos seres humanos. Este felídeo tem tanto de amigável como de traquina.

O gato é um animal domesticado, que mantém muitos comportamentos idênticos aos seus parentes que vivem em ambiente selvagem. Estes parentes, tiveram de desenvolver fortes capacidades de orientação com objetivo de sobreviverem enquanto exploravam vastos territórios. O portentoso sentido de orientação dos gatos baseia-se na visão, no reconhecimento de odores, mas também na leitura de campos magnéticos, em especial o do planeta Terra.

(...) a idade dos gatos, o stress, as condições meteorológicas ou mesmo o simples facto de nunca ter saído de um espaço familiar (...) pode interferir na capacidade de orientação e navegação.

O olfato e a audição desenvolveram-se e foram amplamente estudados nos últimos anos, contudo a capacidade de ler e interpretar campos magnéticos só agora foi alvo de mais atenção, tanto pelos donos dos gatos como pela comunidade científica.

Os gatos e os campos magnéticos

Os primeiros estudos desenvolvidos sobre a excecional capacidade de orientação dos gatos remontam a meados do séc. XX. Nos anos 50, colocaram alguns gatos num labirinto com várias saídas e a maioria deles saiu pela saída mais próxima de sua casa. Logo aí ficou claro que os gatos não se orientavam apenas pela utilização da visão.

Gatos jovens.
Enquanto são jovens, os gatos costumam desenvolver brincadeiras em grupos. À medida que se tornam adultos, ficam progressivamente mais individualistas.

Pouco tempo depois, a experiência foi repetida, sendo que a única alteração ao procedimento consistiu na colocação de imanes nas coleiras dos gatos. Nesta situação, os gatos aparentaram estar mais desorientados, algo que levou os cientistas a acreditar que os campos magnéticos podem interferir na capacidade de orientação dos felinos.

Posteriormente, este tipo de experiência foi desenvolvido noutras espécies animais, com resultados muito semelhantes. Tal como nos gatos, as tartarugas memorizam o padrão magnético da praia onde nascem, para anos mais tarde voltarem ao mesmo local para depositarem os seus ovos.

Funcionamento da bússola felina

Mas, afinal, como funciona este mecanismo nos animais e em particular, nos gatos? Ainda não se sabe ao certo, mas há duas teorias que podem ajudar a explicar. A primeira aponta para a presença de partículas de magnetite nas células. Estas partículas funcionam como sensores internos que detetam os campos magnéticos da Terra e fornecem um rumo, como se de uma bússola se tratasse.

A magnetite é uma forma mineral preta de óxido de ferro que cristaliza no sistema cúbico.

Por outro lado, a presença de proteínas, conhecidas como “criptocromos” também pode explicar o apurado sentido de orientação dos felinos. Os criptocromos estão presentes na retina dos olhos de muitas espécies de vertebrados e, quando em contacto com a luz azul, desenvolve-se uma reação química que gera radicais livres, sensíveis ao magnetismo. Estes radicais livres enviam sinais ao cérebro que os interpreta como informações direcionais.

Criptocromos ("cor oculta") são uma classe de flavo proteínas encontradas em plantas e animais sensíveis à luz azul.

Há ainda a possibilidade de estes dois mecanismos serem utilizados em simultâneo, como complemento um do outro. Mesmo assim, sabe-se que esta bússola interna pode ter falhas, relacionadas com a idade dos gatos, o stress, as condições meteorológicas ou mesmo o simples facto de nunca ter saído de um espaço familiar. Tudo isto pode interferir na sua capacidade de orientação e navegação.

Quando comparados com os cães, os gatos terão mais dificuldade ao afastar-se do seu habitat natural. Contudo, são menos sensíveis à existência de odores estranhos, sendo que memorizam muito melhor os trajetos que fazem, criando mesmo alguns pontos de referência.