O Alentejo e o Algarve estão verdes e floridos como há muito não se via

Aceite o nosso convite e venha ver com os seus próprios olhos as exuberantes paisagens que as chuvas de março trouxeram para as regiões algarvia e alentejana.

Planície alentejana
Campos floridos com tremocilha em Messejana, freguesia rural do concelho de Aljustrel. Foto: Tempo.pt

Há três décadas que não havia tanta água a correr nos campos, nos rios, ribeiros e riachos que atravessam as planícies e as serras no Sul país.

Só nas duas primeiras semanas de março, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, choveu mais do dobro no Algarve e três vezes mais no Alentejo do que a média registada no período de 30 anos.

Silves, Serra algarvia
Os passeios por entre caminhos rurais é a melhor forma de desfrutar a primavera florida na serra algarvia. Foto: Tempo.pt

As tempestades Jana, Konrad, Laurence e Martinho causaram estragos em todo o território de Portugal, mas também encheram as barragens, que estavam em mínimos históricos, trazendo abundância de água com quase três anos de consumo no Algarve e Alentejo.

O verde cobre agora os campos, para alívio e alegria de agricultores e criadores de gado, e é uma rara oportunidade para ver as paisagens algarvias e alentejanas coloridas de amarelo, roxo e branco.

Boas e coloridas razões para visitar o Sul

É sabido que, no verão, boa parte dos portugueses ruma ao sul em busca de praia e calor. Mas vale a pena planear por estes dias uma escapadinha para ver com os seus próprios olhos o que trouxeram as chuvas de março ao Alentejo e Algarve. Não verá paisagens áridas que, com a seca, se tornaram habituais, nos últimos anos.

A primavera chegou com trevos amarelos, papoilas selvagens, margaridas brancas e lírios roxos a perder de vista.

Há muitas boas razões para visitar o Alentejo e o Algarve ainda antes de os termómetros ultrapassarem a fasquia dos 30 graus celsius. As temperaturas amenas convidam a passeios e caminhadas pela manhã ou ao entardecer.

Alte, Loulé
Os campos de Alte, povoação do município de Loulé, estão repletos de flores silvestres. Foto: Tempo.pt

Os casacos de inverno podem ficar em casa, mas, por estes dias em que os campos estão cheios de água, recomenda-se umas botas resistentes para não ficar com os pés atolados na lama.

Caminhadas por entre pomares e serras algarvias

Longe dos magotes de turistas que procuram o Algarve nos meses quentes do ano, poderá descobrir os laranjais que, por esta altura, estão também carregados de flores a perfumar os finais de tarde.

Visite Silves, capital da laranja em Portugal, para ver e cheirar os aromas cítricos dos pomares em todo o seu esplendor.

Barragem do Arade, Silves
A Barragem do Arade subiu de 18% para 54%, em março, segundo a Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão. Foto: Tempo.pt

A primavera, quando a maioria das aves migratórias regressa, é a melhor época do ano para a avifauna no Algarve. A Lagoa dos Salgados, em Pêra, é um bom ponto de observação, tal como são também as zonas húmidas protegidas da Ria Formosa e as arribas de Sagres.

O comedor de abelhas europeu, o wheatear de orelhas pretas, os cucos manchados e as toutinegras subalpinas, além das cegonhas, flamingos e colhereiros nas zonas húmidas estão entre as espécies que podem ser avistadas no Algarve durante a primavera.

Com campos floridos e temperaturas amenas, os meses de abril e maio são também os melhores para percorrer a Via Algarviana. Com cerca de 300 km, o percurso liga São Vicente a Alcoutim por entre povoações e modos de vida rurais que ainda resistem nas serras algarvias.

As planícies de lavanda e de camomila do Alentejo

E porque a região alentejana também foi abençoada com as chuvas de março, vale bem a pena explorar a natureza da região.

Cada estação do ano tem o seu encanto, mas é na primavera que a lavanda e a camomila enchem os campos do Alentejo com aromas inebriantes, oferecendo pastagens verdejantes para o gado e refúgio para perdizes e coelhos selvagens.

Odemira, Alentejo
Nos campos de cultivo e nos montados alentejanos, a água corre em abundância pelos canais de rega. Foto: Tempo.pt

O sobreiro, a azinheira, a oliveira e a esteva, espécies características da planície alentejana, estão prontos para mais um ciclo anual. Os prados explodem de cor com papoilas, margaridas, lírios e tremocilha que desabrocham e compõem paisagens irresistíveis para reter nas nossas fotografias.

Há inúmeros os percursos para explorar, variando a distância e o grau de dificuldade, ao longo do Alqueva e do rio Guadiana. Desde circuitos campestres que percorrem cidades históricas, como Évora, Património da Humanidade reconhecida pela UNESCO. Até caminhos como o trilho PR9 - Entre o Escalda e o Pulo do Lobo, no Parque Natural do Vale do Guadiana.

Mimosa, Santiago do Cacém
As planícies alentejanas estão por esta altura polvilhados de charcos, onde até é possível ouvir o coaxar dos sapos. Foto: Tempo.pt

Mas não se deixe ofuscar somente pela luz do dia porque as noites alentejanas são também memoráveis. É nesta região que encontramos a Reserva Dark Sky Alqueva, uma área com mais de três mil quilómetros quadrados em torno do maior lago artificial da Europa.

As condições atmosféricas e os 286 dias anuais de céu noturno limpo e estrelado fazem desta reserva o melhor lugar para concluir este périplo pela natureza que desabrochou com as chuvas de março.