Março de 2025 entra para a história como o mais seco e ensolarado desde 1906, segundo dados do KNIMI

O mês de março de 2025 foi excecionalmente seco nos Países Baixos, com valores extremos registados desde o início das medições. Em média, apenas se registaram 6 mm de precipitação em todo o país, face aos habituais 53 mm.

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O mês de março registou o maior número de horas com sol, desde que há registo. Verificaram-se condições meteorológicas excecionais.

O mês de março de 2025 foi marcado por condições meteorológicas excecionais nos Países Baixos, registando-se a menor quantidade de precipitação desde o início das medições em 1906. Também se registou a maior quantidade de horas de sol constituindo-se um novo recorde histórico, tornando este março único na climatologia neerlandesa.

Segundo os dados dos postos automáticos do KNMI (Instituto Real de Meteorologia dos Países Baixos), a média nacional de precipitação foi de apenas 6 mm, contrastando fortemente com os 53 mm que constituem a média do período de referência de 1991-2020. Esta anomalia coloca março de 2025 no topo da lista dos marços mais secos de sempre, superando o recorde anterior de 1993, quando se registaram apenas 9 mm.

Situação de seca em algumas áreas dos Países Baixos

A situação de seca foi especialmente severa em Arcen, onde os sensores automáticos reportaram apenas 1,3 mm de chuva durante todo o mês. Por outro lado, Leeuwarden destacou-se como a estação onde mais choveu, devido essencialmente a uma célula de precipitação isolada no dia 23 de março. Ainda assim, mesmo este registo está muito abaixo da média, evidenciando a amplitude e intensidade da ausência de precipitação em todo o território.

Este cenário marcou também o início oficial da estação meteorológica de seca, dado o impacte potencial nas reservas hídricas, na agricultura e nos ecossistemas dependentes da humidade sazonal. A ausência de precipitação prolongada em março está na origem de preocupações quanto à evolução dos meses subsequentes, sobretudo se abril e maio mantiverem esta tendência de aridez.

Além de extremamente seco, março também se destacou como o mais ensolarado desde que há registos modernos da radiação solar. Em média, registaram-se aproximadamente 247 horas de sol em todo o país, superando o anterior recorde de 245 horas, estabelecido em 2022. O valor habitual para esta altura do ano é de 146 horas, o que representa um acréscimo de mais de 100 horas face ao padrão climático. O predomínio de céu limpo e dias longos intensificou o impacte da radiação solar, contribuindo para amplitudes térmicas significativas entre o dia e a noite.

No que diz respeito às temperaturas, março de 2025 pode ser classificado como "razoavelmente ameno", com uma temperatura média de 7,1 °C – acima dos 6,5 °C registados no período de referência. Contudo, o mês ficou marcado por fortes contrastes térmicos: os dias apresentaram máximas consideravelmente elevadas, enquanto as noites foram surpreendentemente frias.

No dia 21 de março, por exemplo, os termómetros atingiram os 22,8 °C em Beek (o valor mais alto do mês), enquanto Eelde registou -6,7 °C na madrugada de 16 de março, a temperatura mais baixa do mês. Em De Bilt, o dia 21 foi ainda o primeiro a atingir os 20 °C em 2025, marcando simbolicamente o início dos dias quentes no calendário meteorológico.

KNIMI calculou o valor do frio acumulado entre novembro e março

Para aferir o rigor do inverno que terminou com este março atípico, o KNMI calculou também o valor do Hellmanngetalpara o período de novembro a março. Este índice, que mede o frio acumulado, ficou-se pelos 6,7 pontos, um valor que classifica o inverno como “extraordinariamente suave”. De facto, esta pontuação coloca o inverno 2024/2025 na 118.ª posição entre os mais frios dos últimos 125 anos, demonstrando a tendência crescente para invernos mais amenos nos Países Baixos.

O impacte de um mês tão seco e ensolarado é multifacetado. Se por um lado o tempo ameno e solarengo trouxe benefícios para atividades ao ar livre e o setor do turismo local, por outro levanta preocupações nas áreas da agricultura, da gestão dos recursos hídricos e na conservação da natureza. As culturas agrícolas dependentes da pluviosidade sazonal podem ressentir-se da escassez de água, e os níveis dos lençóis freáticos poderão baixar prematuramente, antecipando um verão de stress hídrico mais severo.

Os especialistas e meteorologistas apelam à vigilância e à adoção de medidas preventivas, reforçando a importância de uma gestão responsável da água. O início precoce da estação de seca em março poderá exigir restrições ao uso da água em certas regiões se a tendência persistir. O KNMI continuará a monitorizar a situação, publicando relatórios regulares com atualizações sobre o estado do tempo e potenciais impactos no território.