Febre aftosa na Europa põe a produção pecuária em sobressalto. É obrigatório notificar qualquer suspeita ou ocorrência
A febre aftosa (FA) é uma doença altamente contagiosa, que só afeta bovinos, ovinos, caprinos e suínos e animais selvagens. As autoridades pedem a produtores, comerciantes, industriais, transportadores e veterinários para “reforçar as medidas preventivas”.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) alerta: “A situação epidemiológica da febre aftosa na União Europeia continua-se a agravar”.
Em comunicado emitido nesta quarta-feira, 2 de abril, a entidade que é dirigida por Susana Pombo deu nota pública dos principais focos da doença na Europa.
De acordo com a Euronews, neste condado de Győr-Moson-Sopron, vários camiões transportaram os cadáveres de mais de 3.000 animais para uma área estatal entre as aldeias de Csemeztanya e Irénpuszta, perto da fronteira húngaro-austríaca, onde foram enterrados.
O abate foi ordenado pelas autoridades sanitárias depois de vários animais de uma quinta em Levél terem sido infetados com febre aftosa, apesar de a maioria do gado ainda estar saudável. A Euronews dá conta de que os agentes da polícia estão a trabalhar para garantir que apenas um veterinário e trabalhadores autorizados entrem nas instalações afetadas. A medida foi tomada para evitar a propagação da doença.
Cinco focos na Eslováquia
Na Eslováquia, as autoridades veterinárias notificaram no um foco no dia 30 de março, numa exploração localizada em Plavecký Štvľtoke, junto à fronteira com a Áustria. Ao todo, já foram notificados cinco focos de febre aftosa desde o dia 21 do mês passado.
Justamente devido à proximidade da localização de dois focos na Hungria e na Eslováquia com a fronteira com a Áustria, as zonas de vigilância estendem-se àquele Estado-membro, embora, até à data, as autoridades de Viena não tenham notificado qualquer foco.

Ainda assim, os produtores pecuários, a indústria alimentar e as autoridades veterinárias estão em alerta máximo, emitindo recomendações aos agentes do setor, no que toca sobretudo à movimentação de animais das espécies sensíveis vindos de outros países.
Esta quarta-feira, 2 de abril, durante de uma visita de jornalistas de vários Estados-membros à região de Masúria, no Norte da Polónia, organizada pela DG AGRI, a Direção-Geral da Comissão Europeia responsável pela política europeia de agricultura e política agrícola comum (PAC), Marek Czapliński, de 63 anos, dono de uma exploração pecuária com 190 vacas e 100 novilhos, mostrou-se “muito preocupado” com uma possível importação da febre aftosa para o país e o contágio dos seus animais.

Os 19 jornalistas de vários países da União Europeia que integravam a comitiva, assim como representantes da DG AGRI, foram impedidos de visitar a vacaria “por precaução”, como “medida preventiva”, mantendo-se dentro do autocarro que os transportava. “Proibimos todas as visitas”, revelou Marek.
O agricultor admitiu aos jornalistas que tem “receio que a doença se propague” a outros países e à Polónia e que isso obrigue a um lock down [confinamento], que impeça até as exportações” de carne e leite. Espera, pois, que a Comissão Europeia e as “entidades oficiais” do seu país emitam “informação precisa” sobre os “procedimentos a adotar”.
Obrigatório notificar qualquer suspeita
Em Portugal, a DGAV já tinha emitido um alerta em janeiro, mas reforçou a mensagem esta semana. Nesta quarta-feira, 2 de abril, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária lembrou as medidas de emergência já em vigor na Hungria e na Eslováquia, aplicadas nas zonas de restrição (zona de proteção, zona de vigilância).
Entre elas está a proibição da movimentação de animais das espécies sensíveis provenientes da Hungria, Eslováquia com destino a outros Estados-membros e países terceiros e, inclusive, a movimentação de animais, produtos e subprodutos, assim como visitas às explorações para efetuar o exame clínico e a colheita de amostras para o diagnóstico laboratorial da febre aftosa. Apenas haverá derrogação desta norma nos casos de movimentação para abate.
A proibição da concentração de animais, feiras, mercados, exposições também foi decretada, assim como o encerramento ao público de jardins zoológicos, circos e os outros recintos onde são mantidos animais suscetíveis. A caça e outras atividades cinegéticas foram igualmente interditadas e a vacinação de emergência foi ordenada nas explorações pecuárias.
Portugal está, para já, afastado deste perigo, mas a DGAV deixa um aviso claro: “Alertamos para a obrigatoriedade de todos os intervenientes de notificar qualquer ocorrência ou suspeita de febre aftosa”.