Febre aftosa na Europa põe a produção pecuária em sobressalto. É obrigatório notificar qualquer suspeita ou ocorrência

A febre aftosa (FA) é uma doença altamente contagiosa, que só afeta bovinos, ovinos, caprinos e suínos e animais selvagens. As autoridades pedem a produtores, comerciantes, industriais, transportadores e veterinários para “reforçar as medidas preventivas”.

bovinos
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária alerta: “A situação epidemiológica da febre aftosa (FA) na União Europeia continua-se a agravar”.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) alerta: “A situação epidemiológica da febre aftosa na União Europeia continua-se a agravar”.

Em comunicado emitido nesta quarta-feira, 2 de abril, a entidade que é dirigida por Susana Pombo deu nota pública dos principais focos da doença na Europa.

As autoridades veterinárias da Hungria notificaram justamente ontem, 2 de abril, mais dois focos da doença em bovinos, em Győr-Moson-Sopron, no norte do país. Uma das explorações tem um efetivo de 2498 bovinos e outra um efetivo 1012 bovinos e ambas estão localizadas nas zonas de restrição dos focos anteriores. No total já foram reportados quatro focos desde o dia 6 de março deste ano naquele Estado-membro.

De acordo com a Euronews, neste condado de Győr-Moson-Sopron, vários camiões transportaram os cadáveres de mais de 3.000 animais para uma área estatal entre as aldeias de Csemeztanya e Irénpuszta, perto da fronteira húngaro-austríaca, onde foram enterrados.

O abate foi ordenado pelas autoridades sanitárias depois de vários animais de uma quinta em Levél terem sido infetados com febre aftosa, apesar de a maioria do gado ainda estar saudável. A Euronews dá conta de que os agentes da polícia estão a trabalhar para garantir que apenas um veterinário e trabalhadores autorizados entrem nas instalações afetadas. A medida foi tomada para evitar a propagação da doença.

Cinco focos na Eslováquia

Na Eslováquia, as autoridades veterinárias notificaram no um foco no dia 30 de março, numa exploração localizada em Plavecký Štvľtoke, junto à fronteira com a Áustria. Ao todo, já foram notificados cinco focos de febre aftosa desde o dia 21 do mês passado.

Justamente devido à proximidade da localização de dois focos na Hungria e na Eslováquia com a fronteira com a Áustria, as zonas de vigilância estendem-se àquele Estado-membro, embora, até à data, as autoridades de Viena não tenham notificado qualquer foco.

carne bovino
Marek Czapliński, agricultor polaco dono de uma exploração leiteira com 190 vacas e 100 novilhos, está “muito preocupado”. A febre aftosa pode obrigar a um 'lock down', que impeça até as exportações” de carne e leite.

Ainda assim, os produtores pecuários, a indústria alimentar e as autoridades veterinárias estão em alerta máximo, emitindo recomendações aos agentes do setor, no que toca sobretudo à movimentação de animais das espécies sensíveis vindos de outros países.

Na Polónia, todos estão em sobressalto. O país está situado na Europa Central e faz fronteira com a Alemanha, a República Checa, a Eslováquia, a Lituânia, a Bielorússia e a Ucrânia, a Leste, e ainda com a região do Kaliningrado, que pertence à Rússia, e com o mar Báltico, no Norte.

Esta quarta-feira, 2 de abril, durante de uma visita de jornalistas de vários Estados-membros à região de Masúria, no Norte da Polónia, organizada pela DG AGRI, a Direção-Geral da Comissão Europeia responsável pela política europeia de agricultura e política agrícola comum (PAC), Marek Czapliński, de 63 anos, dono de uma exploração pecuária com 190 vacas e 100 novilhos, mostrou-se “muito preocupado” com uma possível importação da febre aftosa para o país e o contágio dos seus animais.

Vacaria
Portugal está, para já, afastado deste perigo, mas a DGAV deixa um aviso claro: “Alertamos para a obrigatoriedade de todos os intervenientes de notificar qualquer ocorrência".

Os 19 jornalistas de vários países da União Europeia que integravam a comitiva, assim como representantes da DG AGRI, foram impedidos de visitar a vacaria “por precaução”, como “medida preventiva”, mantendo-se dentro do autocarro que os transportava. “Proibimos todas as visitas”, revelou Marek.

“A doença está a progredir na Europa, vamos ver como evolui, estamos a adotar medidas de segurança” para garantir que nenhum dos animais é infetado, disse Marek Czapliński, que também admitiu que, fruto destes constrangimentos e dos prejuízos já causados em explorações pecuárias noutros países vizinhos, “os preços do leite podem ter se ser ajustados”.

O agricultor admitiu aos jornalistas que tem “receio que a doença se propague” a outros países e à Polónia e que isso obrigue a um lock down [confinamento], que impeça até as exportações” de carne e leite. Espera, pois, que a Comissão Europeia e as “entidades oficiais” do seu país emitam “informação precisa” sobre os “procedimentos a adotar”.

Obrigatório notificar qualquer suspeita

Em Portugal, a DGAV já tinha emitido um alerta em janeiro, mas reforçou a mensagem esta semana. Nesta quarta-feira, 2 de abril, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária lembrou as medidas de emergência já em vigor na Hungria e na Eslováquia, aplicadas nas zonas de restrição (zona de proteção, zona de vigilância).

Entre elas está a proibição da movimentação de animais das espécies sensíveis provenientes da Hungria, Eslováquia com destino a outros Estados-membros e países terceiros e, inclusive, a movimentação de animais, produtos e subprodutos, assim como visitas às explorações para efetuar o exame clínico e a colheita de amostras para o diagnóstico laboratorial da febre aftosa. Apenas haverá derrogação desta norma nos casos de movimentação para abate.

A proibição da concentração de animais, feiras, mercados, exposições também foi decretada, assim como o encerramento ao público de jardins zoológicos, circos e os outros recintos onde são mantidos animais suscetíveis. A caça e outras atividades cinegéticas foram igualmente interditadas e a vacinação de emergência foi ordenada nas explorações pecuárias.

Portugal está, para já, afastado deste perigo, mas a DGAV deixa um aviso claro: “Alertamos para a obrigatoriedade de todos os intervenientes de notificar qualquer ocorrência ou suspeita de febre aftosa”.